terça-feira, 15 de abril de 2008

O Metro...

Segunda Feira, 13h35 - São Paulo Estação de Metro Santa Cruz;.;.;...
Estava indo para o curso, dia corriqueiro sem tempo para olhar as horas no relógio, andando curvado, acelerado, desco para o metro, pego sentido Tucuruvi (sempre ao ler este nome me vem uma lembrança e um riso nos lábios), desci na Ana Rosa e fui sentido Ipiranga, desci pulando os degraus de dois em dois para pegar o metro que antes de eu conseguir chegar a plataforma ele fecha a porta e fico sem pegá-lo.
Se aproxima de mim uma senhora, estatura mediana, negra, cabelo quase raspado e tingido aparentemente com agua oxigenada, roupas humildes, rasgadas e velhas, um saco transparente pendurado nas costas cheio de sacolas plásticas aquelas usadas geralmente em supermercado, eu me esquivo, com a ultima referência de um assalto que presenciei aquele ser significava perigo para mim, o medo me veio a cabeça e dei um passo pra trás. Ela se aproximava pedindo informação, dizia ela querer ir a uma estação na qual havia um trem, e cuja estação se ouvia o "Frú frú" do barulho do sinal do trem, eu disse que não conhecia tal estação, perguntei o nome do lugar, ainda com medo pois a estação esse horário era pouco movimentada e quem já foi assaltado sabe o pavor que se sente com qualquer pessoa pré-julgada" como 'suspeita', ela falava muito bem, apesar de não ter os dentes da frente e não saber dizer ao certo o nome da estação, ouvi o barulho do metro se aproximando e agradeci por isso. Disse a ela não saber de trem algum, disse q na Barra Funda tinha trem e na Luz, ela porém, me avisou que estes nomes não eram, ela nao se recordara da estação que teria que ir mais se ouvisse seria possível de recordar, e disse que teria q entregar umas sacolas no supermercado desta estação pra ganhar 'uns trocados" ainda pro almoço, e já tinha ido do jabaquara até o tucuruvi e não eram, nesta hora a sensação de medo que sentira se tornara em raiva contra mim mesmo, que na correria que me encontrava não lhe dei atenção q pedia e por ter sentido medo de um ser humano, pelo jeito que estava vestida, de como o modelo certo e 'bonito' da sociedade já estava impregnado em mim sem sequer notar. Em poucos segundos que se deram entre o metro chegar e um policial se aproximar de nós eu estava em conflito entre o que penso e o que tinha acabado de fazer.
Entrei no metro, ela foi perguntar ao Policial que sem dar atenção disse:
-É esta aí da frente.
E entrou no metro, eu de dentro do metro assisti a expressão de desgosto da mulher ao colocar no chão o saco com as sacolas. O metro partiu, não sei que rumo ela tomou, mais posso adivinhar o quao humilhada ela virá se sentir ao chegar na estação indicada com convicção pelo policial e não ser lá, pois ele não se deu ao trabalho de ouví-la.
Será que é assim que estas pessoas "desfavorecidas" se aborrecem com a vida e com o modo que são tratadas pela sociedade?
Será que este é um fator para desistir de entregar suas sacolas e lutar pelo seu almoço?
Será mais facil assaltar de vez já que será vista por alguns como tal?
A cena não me sai da cabeça e a reflexão sobre, atormenta..

Um comentário:

Chaz disse...

É cara, as aparências enganam.
Acho que o desfavorecimento desse tipo de pessoas acaba levando elas ao mundo do crime.

Do tipo: "Eu sou julgado como ladrão, como marginal apenas pq sou pobre?
então eu vou roubar já que é isso que pensam que eu sou"

Muitas pessoas ainda descartam a possbilidade e continuam na humildade, mas algumas outras...

E pra falar a verdade, a gente sempre acaba fazendo um pré conceito antes de realmente conhecer o que a pessoas é, hoje ninguém mais quer correr riscos.

o.O

Então, eu trabalho na RPC, Rede Paranense de Comunicação, Jornal Gazeta do Povo, já ouviu falar?
Cuido da parte de atualização do site, tipo, o jornal passa na TV, gravo ele no Pc e logo após mando pro site.

É um trabalho muuuuuuuuito tranquilo.

Abraço cara, até mais!
E não se preocupe pq você escreve bem sim!